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Público - Dar Sangue - Tipos de Dador

TIPOS DE DADOR

1. TRANSFUSÃO AUTÓLOGA

Na maioria das cirurgias programadas, os doentes perdem uma quantidade de sangue tão pequena que não necessitam de receber transfusões de sangue. Existem, no entanto, cirurgias nas quais pode ser necessário recorrer à transfusão de sangue, sendo este de dadores saudáveis e com elevado grau de segurança.
 
A Transfusão Autóloga consiste num processo de colheita de sangue de uma ou mais unidades pré-operatoriamente a um doente e que, posteriormente, vão ser administradas durante ou após a cirurgia.

 Existem três modalidades de colheita de transfusão autóloga:
 - Pré-operatória
 - Intra-operatória (Hemodiluição e “Cell-saver” – recuperação celular)
 - Pós – operatória

 
Posso fazer uma transfusão autóloga?

Podem integrar um Programa de Transfusão Autóloga doentes com bom estado geral e sem anemia, com valores de hemoglobina igual ou superior a 11 g/dl. Os critérios de aceitação são mais flexíveis, pois o dador é o próprio doente. O médico de Imunohemoterapia vai avaliar a situação clínica do doente antes de lhe ser colhido o sangue. Não há limite de idade e as crianças também podem entrar num programa de transfusão autóloga. Doentes com anemia, doença cardíaca ou doenças infecciosas não podem integrar este programa.
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Durante a sua consulta com o cirurgião, este irá informá-lo da necessidade de transfusão de sangue para a operação a que será submetido. Caso necessite e reúna as condições necessárias, o seu médico deverá propô-lo para um programa de transfusão autóloga. Mas a iniciativa também poderá ser sua! É necessário saber a data da intervenção cirúrgica e o número de unidades de sangue previsto para a operação. No dia da transfusão autóloga, deverá trazer os exames médicos que o seu médico assistente requisitou (análises ao sangue e electrocardiograma).

 

2. SANGUE TOTAL

Os dadores de sangue dirigem-se habitualmente aos Centros Regionais ou Hospitais com serviço de colheita para efectuar a chamada Dádiva de Sangue Total obtendo-se todos os componentes sanguíneos a partir de uma só colheita, sendo a unidade posteriormente separada em Glóbulos Vermelhos, Plasma e Plaquetas. Uma unidade de sangue total representa aproximadamente 450ml. O sangue doado é rapidamente reposto pelo nosso organismo.

Na dádiva de sangue total, os homens podem dar sangue de 3 em 3 meses (4 vezes/ano) e as mulheres de 4 em 4 meses (3 vezes/ano). Todo o percurso da dádiva, iniciando-se na inscrição, passando pela triagem clínica, colheita e terminando na refeição, demora cerca de 30 minutos. A dádiva de sangue não deve ser efectuada em jejum. Deve-se tomar uma refeição ligeira sem álcool e sem gorduras, como por exemplo uma sanduíche e um sumo.

 

3. AFÉRESE

 Na Dádiva de Sangue Total, são colhidos ao dador 450 ml de sangue. Este sangue (sangue total) vai para o laboratório de Separação de Componentes e é centrifugado para se obterem componentes sanguíneos:
- Concentrado Eritrocitário (CE)
- Concentrado Plaquetário (CP)
- Plasma Fresco (PF)

A Dádiva por Aférese é uma forma diferente de dar sangue, pois colhem-se os componentes sanguíneos com a ajuda de um equipamento automático designado separador celular. É uma colheita mais demorada (40 a 50 minutos).
Os componentes que se obtêm são designados por:
- CPA (Concentrado de Plaquetas de Aférese)
- CEA (Concentrado Eritrócitos de Aférese)
- PFA (Plasma de Aférese).

 
Como se processa a dádiva?

A colheita por aférese é uma colheita automática, que é feita com a ajuda de um separador celular, que se programa previamente de acordo com as características físicas e hematológicas do dador (e a disponibilidade do dador) para colher o(s) componente(s) necessário(s).
Tal como na colheita de Sangue Total, o dador é puncionado num só acesso venoso: o sangue sai, é anticoagulado, circula no interior de um kit instalado no separador celular e são separados (colhidos) os componentes previamente seleccionados, reinfundindo no dador os restantes. Os componentes obtidos por aférese não necessitam de nenhum processamento laboratorial e estão prontos a serem enviados aos hospitais e transfundidos ao doente (depois de se terem efectuado as análises ao sangue do dador).

Por outro lado, um Concentrado de Plaquetas de Aférese (CPA), obtido por aférese, é equivalente a 4 ou 5 Concentrados de Plaquetas (CP), obtidos a partir de dadores de sangue total. Desta forma, com a boa vontade e disponibilidade de um dador de aférese, conseguimos transfundir um doente que necessite de plaquetas, enquanto
necessitamos de 4 ou 5 dádivas de Sangue Total para transfundirmos um doente nas mesmas circunstâncias.


No Centros Regionais de Sangue do Instituto Português do Sangue, IP, realizam-se três tipos de colheita por aférese. São elas:


Plaquetaférese: Dádiva de plaquetas por aférese. Estas são pequenas células sanguíneas que controlam a hemorragia.
Destinam-se a doentes com leucemias, linfomas, cancro, doentes sujeitos a cirurgias cardíacas ou transplante de medula óssea.
São substituídas 48h após a dádiva. Demora aproximadamente 40 m.


Eritraférese: Dádiva de glóbulos vermelhos por aférese. São células do sangue que têm como função transportar o oxigénio.
Destinam-se a doentes politraumatizados, submetidos a cirurgias, doentes transplantados, com doenças crónicas como leucemia ou outras formas de cancro. Podem ser colhidos 1 ou 2 concentrados de eritrócitos de aférese, numa só dádiva e decorridos 3 ou 6 meses, a dádiva pode ser repetida com segurança. Este procedimento demora cerca de 25 a 30 minutos.


Plasmaférese: Dádiva de plasma por aférese. Componente líquido do sangue que contém as proteínas plasmáticas.
É composto essencialmente por água e é reposto pelo organismo em 24h. É administrado a doentes traumatizados, queimados, receptores de transplante de órgãos e doentes com alterações de coagulação.

Consoante as características do dador, e de acordo com a disponibilidade de tempo, pode-se colher um só componente (por exemplo, plaquetas - CPA) ou mais do que um componente (CPA+CEA e CPA+PFA). É a chamada colheita multicomponente.

 

Para ser dador por aférese terá que:
• Ter dado, pelo menos, duas vezes sangue sem qualquer tipo de reacção adversa;
• ter idade superior a 18 anos, pesar mais de 50 kg e ser saudável;
• não possuir história pessoal ou familiar de hemorragias e tromboses;
• não ter ingerido aspirina nos últimos 5 dias ou algum anti-inflamatório não esteróide nos últimos 3 dias.

Ao dador de aférese é feita uma consulta em que é explicado minuciosamente o procedimento e é efectuada uma avaliação clínica e laboratorial global. A avaliação do dador é fundamental, com critérios de selecção rigorosos, envolvendo também uma avaliação analítica (a realização de um hemograma e o estudo da coagulação, bioquímica) uma vez que a selecção do(s) componente(s) a colher depende do seu perfil analítico. Se o dador reunir as condições necessárias para a Dádiva por Aférese, é marcada a data e hora da colheita em função da sua disponibilidade.

  
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